domingo, outubro 30, 2005
CANTARES
Cantas trovas turvas que me matam o desejo.
Canta-me fados curvos que me encham de trinados.
Ah! Se eu soubesse rebordar a tua voz.
Canta-me fados curvos que me encham de trinados.
Ah! Se eu soubesse rebordar a tua voz.
SEMÁFORO
Parou no semáforo. O vermelho para peões, era um convite a ficar impávido à espera. Percebeu que do lado de lá da rua ninguém o esperava. Ninguém se esperava.
Ficou verde. Desejou o vermelho que o mantivesse do lado de cá da solidão.
A vida está cheia de semáforos.
Ficou verde. Desejou o vermelho que o mantivesse do lado de cá da solidão.
A vida está cheia de semáforos.
sexta-feira, outubro 28, 2005
PRESIDENCIAIS #2
Apetece-me dizer asneiras! Então não é que com o Cavaco os Portugueses também podem dormir descansados!
Com Soares amorfalhamo-nos descansadamente porque dali nunca virá sobressalto, com Cavaco será porque dois primeiro-ministros farão melhor o trabalhinho governativo.
Os presidentes querem por-nos a dormir. Ainda por cima descansados. Prefiro a volúpia agitada das noites ensonhadas, às linhas isobáricas das memórias nocturnas desencarnadas.
Acho que vou votar em verso!
Com Soares amorfalhamo-nos descansadamente porque dali nunca virá sobressalto, com Cavaco será porque dois primeiro-ministros farão melhor o trabalhinho governativo.
Os presidentes querem por-nos a dormir. Ainda por cima descansados. Prefiro a volúpia agitada das noites ensonhadas, às linhas isobáricas das memórias nocturnas desencarnadas.
Acho que vou votar em verso!
quinta-feira, outubro 27, 2005
SONDAGENS
Chamam-lhe barómetros. Ao avaliarem os candidatos presidenciais deveriam chamar-se Varómetros. Não restam dúvidas, o único motivo de interesse nas próximas eleições será o duelo Soares-Alegre.
ESTABILIDADES
O País precisa de estabilidade política.
A Flórida precisa de estabilidade meteorológica.
O FCPorto precisa de estabilidade defensiva.
A Economia precisa de estabilidade consumista.
A Televisão precisa de estabilidade shareista.
Mário Soares precisa de estabilidade discursiva.
O Amor precisa de estabilidade afectiva.
Os blogues precisam de estabilidade postativa.
Haja quem instabilize! Por isso dou os meus parabéns: aos Sindicatos, ao Wilma, ao Artmedia, aos congelamentos de salários, ao canal 2, ao alegre Manuel, aos adúlteros desencaminhadores e aos comentadores.
Haja quem introduza movimento!
A Flórida precisa de estabilidade meteorológica.
O FCPorto precisa de estabilidade defensiva.
A Economia precisa de estabilidade consumista.
A Televisão precisa de estabilidade shareista.
Mário Soares precisa de estabilidade discursiva.
O Amor precisa de estabilidade afectiva.
Os blogues precisam de estabilidade postativa.
Haja quem instabilize! Por isso dou os meus parabéns: aos Sindicatos, ao Wilma, ao Artmedia, aos congelamentos de salários, ao canal 2, ao alegre Manuel, aos adúlteros desencaminhadores e aos comentadores.
Haja quem introduza movimento!
terça-feira, outubro 25, 2005
SOARES #1
Ouvi-o mal. Era fim de dia. A vida corria-me depressa pelas memórias do que deixara por fazer. Do que ainda tinha para fazer. Retenho pouco, muito pouco, do que ouvi. Retenho as suas palavras: "Comigo a Presidente os portugueses podem dormir em paz". Lá se vai a retoma.
DOENÇAS ANIMALESCAS
Está tudo louco com a gripe das aves. Confesso, como diz o RAP (Ricardo Araujo Pereira) que não me apetecia nada morrer com uma gripe da passarada.
Mas, o Homem, está a ficar cada vez mais snob. Quando se reporta a epidemias, trata logo de as associar aos animais: é a doença das vacas loucas; a gripe da passarada; a febre dos fenos (que eu presumo seja um animal rastejante); a doença dos pezinhos (de coentrada); o pé de atleta (espécie de asno com velocidade de ponta); mais a febre da carraça; etc.
Sejamos criativos! Hominizemos as doenças. Venha de lá a gripe da loura, a febre do espectador de televisão, a doença dos homens amanteigados, a perturbação das crianças tótós, etc. Assim, todos iamos ficar mais descansados. Saberíamos que, independentemente das nossa vontade ou protecção, a doença estaria por aí, ao virar da esquina. O país e o mundo ficariam mais serenos e os telejornais poderiam voltar a ocupar-se das notícias de sempre.
Mas, o Homem, está a ficar cada vez mais snob. Quando se reporta a epidemias, trata logo de as associar aos animais: é a doença das vacas loucas; a gripe da passarada; a febre dos fenos (que eu presumo seja um animal rastejante); a doença dos pezinhos (de coentrada); o pé de atleta (espécie de asno com velocidade de ponta); mais a febre da carraça; etc.
Sejamos criativos! Hominizemos as doenças. Venha de lá a gripe da loura, a febre do espectador de televisão, a doença dos homens amanteigados, a perturbação das crianças tótós, etc. Assim, todos iamos ficar mais descansados. Saberíamos que, independentemente das nossa vontade ou protecção, a doença estaria por aí, ao virar da esquina. O país e o mundo ficariam mais serenos e os telejornais poderiam voltar a ocupar-se das notícias de sempre.
segunda-feira, outubro 24, 2005
HIP-HOP
Os meus filhos levam-me ao hip-hop de forma natural. Ontem descobri esta letra de Boss AC.
Olá Pai Natal
É a primeira vez que escrevo para ti
Venho de Lisboa e o pessoal chama-me AC
Desculpa o atrevimento mas tenho alguns pedidos
Espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
omo nunca te pedi nada
Peço tudo duma vez e fica a conversa despachada
Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da guerra
É que se não acabamos a pedir-te uma nova Terra
Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado, e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta para junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer ás crianças ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas ás meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
Já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jactos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados
Desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
Não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
Parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
E a única coisa que interessa é se as prendas tão compradas
E quando passa o Natal, dás á sola?
Há quem diga que tu não existes, quem te inventou foi a Coca-Cola
Não te preocupes, que eu não digo a ninguém
Se és Pai Natal é porque és pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar
Muita Felicidade, saúde acima de tudo
Se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
Desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas
Feliz Natal para ti e já agora baixa as rendas
Olá Pai Natal
É a primeira vez que escrevo para ti
Venho de Lisboa e o pessoal chama-me AC
Desculpa o atrevimento mas tenho alguns pedidos
Espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
omo nunca te pedi nada
Peço tudo duma vez e fica a conversa despachada
Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da guerra
É que se não acabamos a pedir-te uma nova Terra
Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado, e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta para junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer ás crianças ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas ás meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
Já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jactos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados
Desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
Não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
Parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
E a única coisa que interessa é se as prendas tão compradas
E quando passa o Natal, dás á sola?
Há quem diga que tu não existes, quem te inventou foi a Coca-Cola
Não te preocupes, que eu não digo a ninguém
Se és Pai Natal é porque és pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar
Muita Felicidade, saúde acima de tudo
Se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
Desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas
Feliz Natal para ti e já agora baixa as rendas
sábado, outubro 22, 2005
FAVORES EM CADEIA
Annan apoia Guterres. Guterres apoia Sócrates. Sócrates apoia Soares. Soares apoia o filho. O João apoia a Cruz Vermelha [agora menos porque a mãe já não está lá]. A Cruz Vermelha apoia os necessitados. Os necessitados apoiam quem os apoie. Quem [também] os apoia é a Associação Criança. A associação apoia(-se) na mulher de Eanes. Eanes apoia Cavaco ...
Logo, de forma indirecta, Soares apoia Cavaco.
Logo, de forma indirecta, Soares apoia Cavaco.
RANKINGS DE FICÇÃO
Ora cá estão outra vez os rankings das escolas. Este ano, em primeiro lugar, ficou uma a Escola Secundária Lobo Saramago de Carrazeda de Ansiães. O grande critério de ordenação das escolas foi, mais uma vez, o cálculo das médias dos exames nacionais. Nesta escola fizeram exames dois alunos - o Hilário e a Noémia [filhos gémeos do Senhor Dr. Proença] - que conseguiram uma média de 18,32. Parabéns aos meninos e aos senhores professores e votos dos maiores sucessos. O páis está de parabéns por ter esta escola pública em primeiro lugar.
Não me gozem que soi Doido! Por favor, não me gozem!
Não me gozem que soi Doido! Por favor, não me gozem!
quinta-feira, outubro 20, 2005
MEIOS #2
O PS porá à disposição de Cavaco os seus melhores meios. Fá-lo ao apoiar Mário Soares para a Presidência desta [ainda] República.
ATRASADO
Cheguei tarde a casa. Não tive oportunidade de ouvir a declaração de candidatura de Cavaco Silva à Presidência. Ficam-me seis dúvidas:
[1] será que vai poder usar os meios do PS?
[2] será que comeu bolo-rei enquanto falava?
[3] será Maria a eleita para Primeira-Dama?
[4] para o ano que vem haverá Rock in Rio Lisboa?
[5] o preço dos jornais irá subir?
[6] a primeira presidência aberta será ao pulo da mula (ou lá como se chama a terrinha recôndita)?
Hoje não durmo ... com tantas dúvidas.
[1] será que vai poder usar os meios do PS?
[2] será que comeu bolo-rei enquanto falava?
[3] será Maria a eleita para Primeira-Dama?
[4] para o ano que vem haverá Rock in Rio Lisboa?
[5] o preço dos jornais irá subir?
[6] a primeira presidência aberta será ao pulo da mula (ou lá como se chama a terrinha recôndita)?
Hoje não durmo ... com tantas dúvidas.
quarta-feira, outubro 19, 2005
MEIOS
O Manuel Alegre está impedido de usar os meios do PS.
Espero, muito sinceramente, que também não use os princípios.
Espero, muito sinceramente, que também não use os princípios.
terça-feira, outubro 18, 2005
ENERGIA
A rua estava deserta. Era ainda bastante cedo para que o transporte escolar fizesse mexer a cidade. Eu, caminhava apressada e energicamente sobre a rua, cumprindo um ritual iniciático de perda calórica que teimava em adiar desde sempre. Ela, estava sentada na soleira de um prédio, abatida, ressacada, esvaziada. Pediu-me calor. Dei-lhe ventania. Insistiu. Desisti. Parei a viagem e ofereci-lhe o que tinha.
A vida sorriu-me logo pela manhã. Ofereceu-me este verso:
De onde chegam aves, chega vida.
A vida sorriu-me logo pela manhã.
A vida sorriu-me logo pela manhã. Ofereceu-me este verso:
De onde chegam aves, chega vida.
A vida sorriu-me logo pela manhã.
domingo, outubro 16, 2005
INDECISÕES
Estou indeciso entre:
- ver o Herman Sic ou a 1ª Companhia;
- pôr o lixo ou ouvir um sermão ambiental;
- os blogs de amigos ou os de desconhecidos;
- o artigo indefinido ou a definição bem articulada;
- o discurso do Sócrates ou as alegorias de Platão;
- os gemidos da vizinha ou o música do Oceano Pacífico;
- a organização semanal ou o improviso quotidianamente organizado;
- o sorriso de Mona Lisa ou a orelha com brinco de pérola;
- Leonard Cohen ou Egberto Gismonti;
- pouco ou coisa nenhuma.
- ver o Herman Sic ou a 1ª Companhia;
- pôr o lixo ou ouvir um sermão ambiental;
- os blogs de amigos ou os de desconhecidos;
- o artigo indefinido ou a definição bem articulada;
- o discurso do Sócrates ou as alegorias de Platão;
- os gemidos da vizinha ou o música do Oceano Pacífico;
- a organização semanal ou o improviso quotidianamente organizado;
- o sorriso de Mona Lisa ou a orelha com brinco de pérola;
- Leonard Cohen ou Egberto Gismonti;
- pouco ou coisa nenhuma.
sexta-feira, outubro 14, 2005
APRESENTAÇÃO
Hoje o meu pai faz 70 anos. Quero apresentá-lo!
Foi engenheiro, mas não me traçou essa vocação.
É sereno, mas não me ensinou essa arte sombria.
Revelou-se-me sempre distante, mas não me afastou das investidas.
Amou-me da forma mais desajeitada, e com isso modelou-me a prosódia comportamental.
Hoje o meu pai faz 70 anos.
Foi engenheiro, mas não me traçou essa vocação.
É sereno, mas não me ensinou essa arte sombria.
Revelou-se-me sempre distante, mas não me afastou das investidas.
Amou-me da forma mais desajeitada, e com isso modelou-me a prosódia comportamental.
Hoje o meu pai faz 70 anos.
TMN 2 [gosto da vida tal como ela é]
A versão mundana
[1] Gosto de passar semáforos no amarelo
[2] Gosto de satitar entre cores nas pedras da calçada
[3] Gosto de olhar as manhãs citadinas de olhos meio fechados
[4] Gosto ler do jornal a saber a café
[5] Gosto da cerveja de sexta-feira ao fim do dia
[6] Até já.
[1] Gosto de passar semáforos no amarelo
[2] Gosto de satitar entre cores nas pedras da calçada
[3] Gosto de olhar as manhãs citadinas de olhos meio fechados
[4] Gosto ler do jornal a saber a café
[5] Gosto da cerveja de sexta-feira ao fim do dia
[6] Até já.
quinta-feira, outubro 13, 2005
CONTRASTE
Acenou-lhe da janela e chorou
Não era a partida que a derrubava
Era a chegada com perfume denunciador
Não era a partida que a derrubava
Era a chegada com perfume denunciador
quarta-feira, outubro 12, 2005
TMN 1 [gosto da vida tal como ela é]
A versão de caseira
[1] Gosto de deixar queimar as torradas
[2] Gosto de fazer a barba depois do banho
[3] Gosto de deixar os sapatos em qualquer lado
[4] Gosto de tomar um café antes de deitar
[5] Gosto de olhar os peixes enquanto comem
[6] Até já.
[1] Gosto de deixar queimar as torradas
[2] Gosto de fazer a barba depois do banho
[3] Gosto de deixar os sapatos em qualquer lado
[4] Gosto de tomar um café antes de deitar
[5] Gosto de olhar os peixes enquanto comem
[6] Até já.
segunda-feira, outubro 10, 2005
DEBATES
O debate da noite trouxe-nos um politólogo.
Eu prefiro os palitólogos: sábios que estudam a arte do adultério.
Boa noite! Vou fazer trabalho de campo.
Eu prefiro os palitólogos: sábios que estudam a arte do adultério.
Boa noite! Vou fazer trabalho de campo.
INSANIDADE
O marido esperava de braços cruzados pela mulher que esperava, também ela, por qualquer coisa. A dada altura, inquieto, pergunta-lhe por que espera. Ela diz-lhe: "Estou à espera que tragam baguete quente". Ele insultou-a de forma despudorada. Ela resignou-se de forma amordaçada.
Apeteceu-me bater no homem, mas não fui capaz.
Apeteceu-me sussurrar à mulher uma alternativa feliz, mas não fui capaz.
Por isso escrevo.
Apeteceu-me bater no homem, mas não fui capaz.
Apeteceu-me sussurrar à mulher uma alternativa feliz, mas não fui capaz.
Por isso escrevo.
domingo, outubro 09, 2005
GENERALIDADES
Primeira:
O poder do voto é um exercício de soberania democrática. Tudo legitima.
Segunda:
O tempo de antena dado a Fátima Felgueiras (paladina da defesa da moralidade democrática) fica legitimado pelo poder do voto popular.
Terceira:
A abstenção é uma forma de abstenção democrática.
Quarto:
Os portugueses gostam da constância. Votam em pouca mudança para não lidarem com o imprevisto. Esta é também a história das nossas vidas. Ou não será?
O poder do voto é um exercício de soberania democrática. Tudo legitima.
Segunda:
O tempo de antena dado a Fátima Felgueiras (paladina da defesa da moralidade democrática) fica legitimado pelo poder do voto popular.
Terceira:
A abstenção é uma forma de abstenção democrática.
Quarto:
Os portugueses gostam da constância. Votam em pouca mudança para não lidarem com o imprevisto. Esta é também a história das nossas vidas. Ou não será?
sexta-feira, outubro 07, 2005
ALUECIDA
Corre os dias sem resvalar emoções
Aluece desgastada pelo cansaço
Queria ser crescente
Mas a rotina mantém-na minguante
Aluece desgastada pelo cansaço
Queria ser crescente
Mas a rotina mantém-na minguante
quinta-feira, outubro 06, 2005
CAMARINHAS
Há mais de 30 anos que não comia camarinhas. Um passeio pela Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto levou-me a tempos em que a mata era campo de aventura e de amores. Amor e aventura são palavras que, de facto, se unem. Prefiro esta união de facto ao casamento desajeitado.
CAMPANHA ELEITORAL
Já só faltam dois dias (mais o de reflexão) para a campanha eleitoral chegar ao fim. Confesso que por vezes me dá um certo gozo ler e ouvir o que têm para nos dizer os vários candidatos. De tudo o que ouvi retenho as palavras de Manuel Alegre citando Milan Kundera: "o poder é memória e esquecimento".
Esta frase aproxima o poder e a política das pessoas. Já só algumas frases o conseguem fazer.
Esta frase aproxima o poder e a política das pessoas. Já só algumas frases o conseguem fazer.
segunda-feira, outubro 03, 2005
SAUDADE
Há dois anos perdi uma das pessoas que mais significaram na minha vida. Dedico-me uma frase com que me incentivou tantas vezes: "Seja forte como uma rocha".
Confesso que por vezes fui granito, mas outras tantas fui areia. Granito quando o embate merecia a oposição fria e inquebrável, areia quando me decidi deixar levar em pedaços sem ser notado. Há dois anos, quando o telefone tocou, eu senti a morte no lado de lá da linha.
Confesso que por vezes fui granito, mas outras tantas fui areia. Granito quando o embate merecia a oposição fria e inquebrável, areia quando me decidi deixar levar em pedaços sem ser notado. Há dois anos, quando o telefone tocou, eu senti a morte no lado de lá da linha.
CAMPANHAS
O PS estacionou uma roullote ao pé de minha casa. Pensava eu que seria para distribuir as bolas, canetas, chapéus e balões do costume. Puro engano. A distribuição estendeia-se ao café, laranjada, cerveja, batata frita e até mesmo presuntinho cortado em fatia fina.
Precisei de uma cebola para fazer um arrozinho malandro de polvo que decidi jantar, mas disseram que disso não tinham. A falta da cebola valeu-lhes a perda de um voto.
Precisei de uma cebola para fazer um arrozinho malandro de polvo que decidi jantar, mas disseram que disso não tinham. A falta da cebola valeu-lhes a perda de um voto.
domingo, outubro 02, 2005
ANGOLA
Ontem encontrei uma amiga minha que regressou recentemente de Angola depois de 15 dias de viagem profissional. Ela, que é médica, foi conhecer a realidade hospitalar angolana para desenvolver programas de intervenção médica comunitária. Falou-me com uma tristeza profunda. Chourou convulsivamente à medida que relatava o que tinha visto. O mundo caiu-me aos pés. Não a consegui abraçar. Nem a ela nem ao sofrimento. O dela - que transpirava o de outros.
